06 Apr
06Apr

EXONERAÇÃO DE RESPONSABILIDADE

Interpretar táticas do mundo real e aplicá-las no Football Manager é mais fácil dizer do que fazer. Frequentemente, uma equipe terá vários sistemas implantados ao longo do jogo com base em cenários e eventos do jogo, dificultando a conversão para o Football Manager. Então, eu peguei o que acho que são os elementos-chave de seus sistemas e papéis de jogadores, com base na observação de momentos-chave das partidas da vida real.

INTRODUÇÃO

O futebol brasileiro está totalmente paralisado devido à pandemia do COVID-19, com isso surgem diversas análises do início de temporada dos clubes nacionais. Um dos clubes que mais se tinha uma ansiedade grande para ver em ação era o Internacional, que nessa temporada seria comandado por “El-chacho”, que prometia um futebol ofensivo, de alta intensidade, assim como ele levou o Racing ao título da superliga argentina na temporada 18/19. Nesse artigo, procuraremos entender como se desmembram as equipes do Cacho Coudet e trazer a realidade para o Football Manager e trazer a tática atual do treinador no Inter para o game.

Apesar de ter feito partidas um tanto quanto “truncadas” contra o Tolima, o Inter mostrou realmente o “estilo Coudet” na partida contra a Católica, pela abertura da fase de grupo da libertadores, na qual colocou um futebol bem ofensivo em campo, com alta intensidade durante todo o jogo e procurando sempre o gol adversário.

Coudet costuma usar esquemas fluídos em suas equipes como um tradicional 4-4-2, geralmente um 4-1-3-2 e às vezes até três costas no 3-4-1-2 ou 3-1-4-2. No entanto, com o fim de replicar seu esquema para o FM, vamos usar seu estilo mais tradicional, o 4-1-3-2.

Filosofia e formação de equipes

O primeiro trabalho do Chacho Coudet foi pelo Rosário Central, clube que havia sido rebaixado alguns anos atrás (2010) e não viviam uma grande fase no cenário nacional e internacional. Com Coudet no comando, os Canallas voltaram â competitividade nacional e internacional, chegando as quartas de finais da libertadores e sendo eliminados pelo Atlético Nacional – COL, que acabaria se consagrando campeão.

Como na época, o que perdura até hoje, a Argentina vivia uma grande crise econômica, os clubes eram obrigados a recorrer para as divisões de base para montar o elenco da temporada. No Rosário não foi diferente, o clube passou por uma reformulação, que começou com Diego Cocca e terminou com Coudet. Alguns nomes conhecidos são formados na base dos Canallas, como Lo Celso, Franco Cervi e Walter Montoya (ex jogador do Grêmio).

Não vou me ater a muitos detalhes no esquema do Rosário, uma vez que não é a grande finalidade do post. No entanto, algumas funções devem ser destacadas. A primeira delas é a Damian Musto, que fazia um papel de Pivô Defensivo. Embora não pareça ter tanta importância assim, é essa função que faz todo o resto funcionar à frente. Para essa função, o jogador precisa ter um ótimo posicionamento e outros excelentes atributos mentais como antecipação e decisão. Tendência do atacante adversário e ficar centralizado entre os 2 zagueiros, tentando confundir a marcação. O pivô defensivo, função escolhida por Coudet, vai procurar interceptar essa bola e recicla-la para os 3 meio campistas a frente, principalmente para o mais centralizado. Nesse ponto, entramos em outra função importante, a do meio campo central que funciona como um Organizador móvel, que inicialmente foi realizado por Franco Cervi e posteriormente pro Lo Celso, que foi tão bem na posição que chegou até a seleção argentina. Eles simplesmente pegavam a bola do Pivo Defensivo e davam início a construção da jogada, fazendo a bola circular, eram a “cabeça pensante” do meio campo, só que jogando um pouco mais atrás, vindo buscar a bola. A terceira, e última, função importante é a dos outros dois meias centrais, que inicialmente eram pontas, extremos pelo lado do campo e foram transformados por Coudet em Médios centrais alas (Mezzalas), ele atacará o espaço entre o local onde um extremo-atacante tradicional e um meia-atacante convencional se sentar, isso é conhecido como “o meio espaço”. É aqui, neste ponto doce de ouro, onde o Mezzala pode operar com boa criatividade e drible.

O esquema de Coudet no Rosário era desenhado basicamente dessa maneira:

Passados alguns anos, Coudet chega ao comando do Racing, onde realizou o seu principal trabalho como treinador, e chegando ao título mais importante da sua curta carreira como treinador, o da superliga argentina.

No Racing, seu esquema era basicamente o mesmo realizado no Rosário. No Racing, quem fazia a função de Pivô Defensivo era o experiente chileno Marcelo Diaz, com ótimos atributos psicológicos, o que conforma essa importância para a posição. Jogando como um organizador móvel, tínhamos Nery Cardozo, que era acompanhado por 2 extremos que viraram mezzalas nas mãos de Coudet, Matias Zaracho e Augusto Solari. A imagem abaixo demostra claramente o desenho defensivo da equipe do Racing, com o Pivo defensivo no meio dos zagueiros começando o jogo.


Esquematicamente, o Racing usava a seguinte destribuição dentro de campo:

Filosofia e formação do Inter 

O Internacional de Coudet segue o modelo usado nos últimos trabalhos do treinador. El Chacho introduziu o jogo ofensivo que a torcida colorada tanto queria. Esse modelo de jogo é facilitado pelo uso do Pivô Defensivo, que inicia o jogo e funciona como um terceiro zagueiro, o que libera a passagem dos laterais, que se juntam aos médios alas (mezzalas), facilitando as triangulações e infiltrações ofensivas. Os dois homens da frente, que são 2 experientes jogadores (D’alessandro e Guerreiro), se complementam, com D’ale jogando mais atrás, buscando o jogo através dos lados de campo e com Guerreiro jogando dentro de área, no meio dos zagueiros.

Em termos de mentalidade, o Inter é totalmente positivo, circulando a bola através do campo e sendo paciente para encontrar espaços vazios para penetrar, procurando sempre a criatividade dos jogadores. O time de Coudet utiliza uma linha defensiva mais alta, buscando pressionar o adversário já no campo ofensivo, com um ritmo alto para recupera rápido a bola.

No Football Manager 2020, eu traduzo a tática do Inter de Coudet como:

-> COM A POSSE DE BOLA

Com a posse de bola, o time de Coudet tende a ter uma intensidade mais alta, circulando a bola de maneira rápida, em sua maioria com passes rápidos e triangulações, buscando sempre a passagem dos laterais e o apoio lateral dos mezzalas, e encontrando os espaços abertos em campo.


-> EM TRANSIÇÃO

O time de Coudet tem a tendência de fazer a contra pressão quando perde a bola, com objetivo de recupera-la imediatamente, e assim que a tem em posse, contra ataca com passe curtos e rápida intensidade.

-> SEM A POSSE DE BOLA

O time tem uma linha defensiva uma pouco mais alta no setor defensivo, com os zagueiros com tendência a marcar quase na linha de meio, enquanto o avançado recuado recua para fazer a zona de guerra quando os meias receberem a bola, enquanto o Ponta Lança vai pressionar o goleiro, fazendo com que ele dê o “chutão”.

Funções específicas do jogador

-> SETOR DEFENSIVO

Interpretei os 2 centrais do Inter como Defensor Central na função defender, com a função de subir a linha de marcação, recuperar essa bola e fornece-la para o Pivô Defensivo da inicio as jogadas, ou, em alguns lances, tentar o lançamento para os jogadores mais abertos. É importante que esses jogadores tenham uma boa marcação e desarme como atributos técnicos; antecipação e posicionamento como atributos mentais; e aceleração e velocidade como atributos físicos, uma vez que jogaram adiantados.

Os laterais têm uma função importante dentro do esquema de Coudet, eles subirão sempre que possível, funcionando como alas e ajudando a formar triângulos em campo com os mezzalas e os atacantes, de maneira que possa ser feitas tabelas e triangulações com mais facilidades. Por isso, interpretei os laterais como alas, e como o Inter força o jogo pelo lado direito onde tem o avançado recuado (D’alessandro ou T. Galhardo), coloquei o lateral direito como ala completo atacar, e o lateral esquerdo como ala apoiar.

-> SETOR DE MEIO CAMPO

O pilar do time do Chacho Coudet é o seu meio campo, com funções muito bem definidas em campo é que liga o setor defensivo ao ataque com muita qualidade. Uma dessas funções é o Pivô Defensivo, função que Coudet sempre usou desde os tempos de Rosário Central. Uma prova disso é que Coudet pediu a contratação de Damian Musto, jogador que fazia essa função nos Canallas quando Coudet era treinador da equipe. O Pivô funcionará como um líbero mais avançado, buscando recuperar imediatamente a bola pra evitar o contra ataque, além de ser um jogador com um pouco mais de qualidade do que um volante recuperador de bolas, pois ele que distribuirá essa bola para os 3 homens centrais, principalmente para o Organizador Móvel. Ele se posicionará no meio dos 2 zagueiros, funcionando como um terceiro zagueiro quando o time avança. Quando o time tem a bola, ele subirá um pouco o campo, tentando dar o bote no meio pra evitar o contra golpe.

Destaquei as habilidades que acho mais importante para se fazer essa função: boa marcação e um passe razoável como atributos técnicos. Tem que ter um jogo mental espetacular, e por isso jogadores mais experientes se dão melhor nessa posição, um grande exemplo é Enzo Perez no time de Gallardo, vice campeão da Libertadores 2019. Outro fator que considero importante é o jogador fazer também a função de meio campista central, uma vez que terá o “cacuete” de sair jogando e avançar um pouco o terreno em campo quando o jogo permitir.

A primeira imagem mostra como o Pivô funciona na hora da marcação, comparando com uma foto real do jogo entre Inter x Grêmio. A segunda, mostra como o jogador avança quando o time ataca, acompanhando o atacante adversário, evitando que ele receba a bola e cortando o contra golpe.

Outra função importante é do Organizador Móvel. Funciona como o coração da equipe, capaz de voltar para ajudar na marcação e progredir com a bola nas jogadas ofensivas, tem um físico elevado, capaz de manter a alta intensidade em grande parte do jogo. Ele recebe a bola em linha mais baixa, na maioria das vezes a recebendo do Pivô, e busca verticalizar a jogada com rapidez. Ele sempre aparece próximo a área para arriscar um chute ou procurar um passe em profundidade.

As imagens acima mostram a ilustração do Organizador Móvel se apresentando ofensivamente próximo a área para tentar a finalização

A terceira, e última, função importante do meio de Coudet é a do Mezzala, bastante usado pelo treinador na sua passagem pelo Rosário, e, mais recentemente, na campanha do título argentino com o Racing. No Racing, quem fazia essa função era Rojas, Montoya, Zaracho e algumas vezes Centurion. Como se pode perceber, são jogadores que jogam como extremos e foram “puxados” para jogar como elementos centrais e que irão abrir o jogo para os lados de campo, e, sempre que possível, infiltrar na grande área adversária. 2 extremos que foram transformados em mezzalas por Coudet é M. Guilherme e Boschilla.


As duas imagens acima mostram exatamente isso, na imagem da direita Boschilla busca triangulações pelo lado de campo e aparece livre na frente do goleiro para finalizar. Na segunda, M. Guilherme aparece livre dentro da área, vindo da ala direita, para marcar o segundo gol do Inter contra a Católica.

Na imagem acima, destaquei os atributos que considero mais importante para um jogador executar essa função, ele deve ter a velocidade de um extremo, a técnica de um homem de meio central e a finalização e frieza de um atacante, uma vez que entrará com frequência na área adversária.

-> SETOR OFENSIVO

O setor ofensivo é formado por 2 homens de frente, assim como foi no Rosário (Ruben e Larrondo) e no Racing (Civitanich e L. Lopez). As funções são simples, um avançado recuado com um pouco mais de habilidade, que jogará aberto buscando dribles, triangulações com os laterais de apoio e mezzalas, e um ponta lança fixo, que ficará brigando no meio dos zagueiros, e terá a função de marcar os gols. No caso do inter, quem faz essa função de avançado recurado é D’alessandro e T. Galhardo, e a função de Ponta Lança Fixo cabe a Guerreiro.

A imagem acima, do jogo contra o Tolima, pela pré-libertadores, é um exemplo do que acabei de falar. D’ale caindo pelo lado de campo, jogando um pouco mis atrás, e usando da sua habilidade para servir o Ponta Lança, que esta no centro, brigando com os zagueiros pronto para marcar o gol da vitória colorada.

DOWNLOAD PARA A TÁTICA

https://mega.nz/file/oFMUXaqC#nOKcMTThpTaYRwnxtAFUIOuZmNbJ4nmSCuiuiJRW_Gk

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